IV Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal tem início com discussões sobre prevenção da dor animal

19 de abril de 2017

Por Carolina Menkes

Mais de 300 pessoas, entre médicos veterinários, zootecnistas e estudantes estiveram presentes no primeiro dia do IV Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal, evento organizado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que teve início nesta terça-feira (18). O primeiro dia de Congresso contou com palestrantes nacionais e internacionais, que abordaram os procedimentos cirúrgicos em diferentes tipos de animais, além de formas de prevenção da dor e identificação das emoções dos animais.

A presidente do IV Congresso, Ceres Faraco, integrante da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do CFMV, ressaltou que evitar a dor e o sofrimento dos animais é uma tarefa de todos. “É inaceitável que com os avanços e demandas da sociedade algumas práticas ainda sejam realizadas. Nosso trabalho enquanto profissionais é construir caminhos e oferecer a oportunidade de fazer diferente e melhor”, ressaltou.

               Ceres Faraco, presidente do IV Congresso. 

O médico veterinário Michael Mendl, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, lembra que ao se falar de emoções animais, o ponto de vista é baseado em conceitos humanos. “Temos que ter cuidado com o comportamento espontâneo. Os animais podem mostrar de forma diferente a dor, alguns de forma mais ativa, outros menos”.

A médica veterinária Rita Leal destacou, em sua fala, que o sofrimento nunca é neutro para aquele que sofre. “A nossa oposição à dor e ao sofrimento animal mostra que os animais têm uma vida dotada de valor significativo. O sofrimento é marco importante e é ele que demanda a nossa resposta, a consideração pelos animais.”, afirmou.

               Rita Leal , médica veterinária. 

A dificuldade de identificar a dor, seja em animais selvagens, seja nos de produção, também foi debatida no congresso.

“A diferença da expressão animal é gritante quando há dor, mas para que seja identificada é necessário o convívio. É um trabalho lento e demorado, em que se tem que avaliar lentamente os pacientes”, explicou o médico veterinário Fábio Futema, da Universidade Paulista, que abordou dor e procedimentos em animais selvagens.

O médico veterinário do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Pernambuco, Alberto Neves, que tem experiência com animais de produção, lembra que não se pode separar questões técnicas das questões éticas na produção animal.

“A rotina da produção animal contribui para que haja dor e estresse.”, ressaltou. “E não é só no confinamento, como a maioria imagina”. Ele citou a castração e o corte de dentes como outros exemplos que podem causar desconforto e devem ter acompanhamento de profissionais.

“As pessoas pensam que investir no bem-estar animal gera perda de produtividade e prejuízo, mas não necessariamente, pois os prejuízos podem vir caso isso não seja feito”, finalizou Neves.

Acesse o hotsite do Congresso: bioeticaebea.cfmv.gov.br

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