Os perigos de seguir dicas da internet é assunto de artigo do Presidente do CFMV em revista

16 de janeiro de 2017

A edição de janeiro da Revista Cães & Cia traz um artigo que alerta sobre os perigos de procurar orientações para cuidar da saúde de animais na internet. O texto da seção Amigo Vet, assinado pelo presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Benedito Fortes de Arruda, ressalta que as fontes disponíveis na rede nem sempre são confiáveis, e que apenas a consulta com presencial com um médico veterinário pode fornecer um diagnóstico confiável sobre a saúde de um animal de estimação.

Leia o artigo e saiba mais sobre o tema:

 

 

Perigos das “consultas” gratuitas na internet

Graças à internet, a informação está ao alcance de todos com apenas um clique. Essa conveniência tecnológica certamente traz muita facilidade ao dia-a-dia, mas também representa um perigo quando se trata da saúde de humanos e animais. No momento em que um animal de estimação adoece, procurar diagnósticos e tratamentos na rede pode parecer uma solução rápida, mas cautela é necessária, pois as consequências de seguir as orientações do “consultório virtual” serão bastante reais.

A tentação por uma solução simples e imediata é grande. Basta descrever os sinais manifestados pelo animal, e uma simples busca na internet rapidamente resultará em centenas de diagnósticos de fontes duvidosas. Alguns sites alegam ter a solução baseada em casos supostamente reais, outros chegam a indicar terapias naturais, medicamentos veterinários e até mesmo remédios destinados ao uso humano. Como saber quais opiniões são as corretas? Certamente, não vale a pena testar para descobrir.

Cada um é cada um

Cada organismo é diferente. Apenas um profissional qualificado é capaz de avaliar as condições particulares do paciente e determinar qual é o melhor caminho para a reabilitação. Determinadas raças, por exemplo, não podem usar produtos que são normalmente recomendados para outros animais da mesma espécie. Há também uma série de fatores que interferem na prescrição e no efeito de um medicamento, como o histórico do paciente, o ambiente em que ele está inserido e várias condições de saúde que só podem ser determinadas com exame clínico detalhado.

Dica é só dica

Não são raros os sites que se dedicam exclusivamente a oferecer dicas de saúde e bem-estar para cães e gatos. Com o crescimento da população pet, é natural que mais pessoas se interessem pelo tema e busquem se informar sobre como lidar da melhor forma com seus companheiros de quatro patas.

Há, no entanto, uma linha bastante clara que deve ser traçada no que diz respeito às recomendações feitas na internet ou em qualquer outro meio: elas não podem consistir em qualquer tipo de diagnóstico ou prescrição de tratamento.

Examinar é básico

Se o site procura definir a condição de saúde de um animal baseado em uma lista de sinais generalizados, ou, ainda, sugere formas de tratá-lo sem um exame veterinário adequado, é hora de o proprietário desconfiar das informações disponibilizadas. A norma vale, inclusive, para as dicas vindas dos profissionais. De acordo com o Código de Ética do Médico-Veterinário, é vedado receitar sem prévio exame clínico do paciente, como é o caso dos sites que oferecem consultas virtuais.

Também se deve ficar atento para a confiabilidade de vídeos, podcasts e outros meios que podem ser usados para divulgar informações que pertencem ao consultório. Esses casos estão previstos na Resolução CFMV nº 780, que estabelece critérios para a publicidade no âmbito da Medicina Veterinária, e que proíbe consultas, diagnóstico ou prescrição de tratamentos por meio de veículos de comunicação de massa.

Como agir

Quando o seu animal de estimação dá sinais de que não está saudável, a melhor informação a ser procurada na internet é o contato de um médico-veterinário. Tentar traçar por conta própria o diagnóstico ou tratamento é uma escolha que pode agravar ainda mais o estado de saúde do animal. O grande perigo dessa prática está certamente no uso de remédios e outros produtos adquiridos e empregados sem a orientação de um médico-veterinário.

A utilização “extra bula” de medicamentos infelizmente é uma prática bastante comum, e igualmente perigosa. O animal que é tratado com produtos sem prescrição pode não apenas continuar doente como também está sujeito a sofrer com reações alérgicas, intoxicação por alta dosagem e uma série de efeitos colaterais que podem agravar o quadro de saúde do paciente.

Nutrição

A mesma recomendação vale para a nutrição do animal. Assim como uma pessoa que sofre problemas cardíacos procura um médico para adaptar a dieta à sua condição, rações com características nutricionais especiais devem ser administradas somente sob a recomendação de um profissional. Substituições na dieta estão sujeitas a exames que vão indicar  o que é melhor para cada animal, e se determinada mudança é realmente a melhor escolha. 

Antiparasitários

O alerta se estende, inclusive, a produtos dermatológicos, vermífugos e produtos antipulgas – todos esses itens podem representar perigos para o animal se não forem usados corretamente. O que funciona para o cãozinho da internet pode não ser a melhor escolha para o seu.

Dica geral

Para o proprietário de animal, vale uma orientação simples: se no rótulo estiverem as palavras “uso veterinário”, consulte sempre um médico-veterinário.

 

Por Benedito Fortes de Arruda, médico veterinário e presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária.