Dia Mundial da Alimentação – Profissionais que garantem a segurança do alimento que chega à sua mesa

16 de outubro de 2019

No dia 16 de outubro, comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Neste dia, em 1945, era fundada a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e, desde 1981, a data é celebrada.

No relatório anual da FAO, deste ano, “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo”, foi apontado uma estimativa de que cerca de 14% dos alimentos do mundo são perdidos da pós-colheita ao varejo, ou seja, antes mesmo de chegar ao consumidor. Ainda de acordo com o levantamento, a América Latina e Caribe tem uma perda de 11,6%.

Concluiu afirmando que “para o Brasil cumprir sua nobre missão de alimentar o mundo, dependemos de uma série de atores”, entre ele profissionais, como médicos-veterinários e zootecnistas envolvidos no agronegócio, setor responsável por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O presidente da Comissão Nacional de Tecnologia e Higiene Alimentar do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CONTHA/CFMV), José Maria dos Santos Filho, contrapõe a realidade exposta pelo levantamento e a de produção de alimentos no país.

“A despeito de o Brasil ser um dos maiores produtores de alimento do mundo, seja de origem animal ou vegetal, existe uma demanda, não pela quantidade produzida, isto, de certo modo, está bem resolvido. Tem-se uma questão social e econômica, em que populações de baixa renda muitas vezes não têm acesso a esses alimentos”, explica.

O importante não é só o acesso ao alimento, mas também à qualidade do produto final oferecido ao consumidor, alerta o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). O trabalho do médico-veterinário e zootecnista é imprescindível para garantir a segurança do produto de origem animal. A atuação dos profissionais possibilita a maior acessibilidade à alimentação de qualidade.

O médico-veterinário, por exemplo, trabalha em todo o processo da cadeia produtiva, avaliando e controlando se a matéria-prima está adequada para o consumo humano. Ele trabalha de dentro da porteira até o alimento chegar à mesa do consumidor. Na agropecuária, eles podem atuar como consultores, responsáveis técnicos, docentes e peritos criminais, judiciais e administrativos, exercem também atividades em laboratórios para análise de solo, água e saneantes destinados ao uso domiciliar, realizam pesquisas em alimentos, participam da produção de vacinas e de medicamentos de uso animal.

O presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Francisco Cavalcanti de Almeida, esclarece que os profissionais que atuam na agropecuária têm o compromisso com a utilização de boas práticas no manejo. “Devemos sempre respeitar o bem-estar animal, com reflexos na indústria de transformação, de transporte, de armazenamento e de comercialização”.

O presidente explica que avanço tecnológico do momento requer inovação em toda a cadeia produtiva, em virtude da demanda mundial por alimentos seguros. “Hoje, o mundo tem 7,5 bilhões de pessoas, com expectativa de chegar a 9,6 bilhões de habitantes, em 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Como alimentar tanta gente com proteína animal de qualidade, preservando e conservando o meio ambiente?”, indaga.

O zootecnista também tem sua importância na questão. Ele tem em sua formação uma ampla e diversificada diretriz curricular e um vasto campo de atuação, que vai muito além da nutrição animal, como zootecnia de precisão e bem-estar animal associado a melhoramento genético, com caminhos promissores e que irão trazer muitas novidades ao agronegócio.

 “Entendemos o protagonismo e a responsabilidade das nossas profissões para a saúde da população e também para a economia do nosso país, desenvolvendo suas atribuições em diversas áreas, de forma integrada na saúde dos animais, dos seres humanos e do meio ambiente, constituindo, portanto, a saúde única”, diz o presidente do CFMV.

Para o médico-veterinário José Filho, as questões da segurança alimentar, bem como do alimento são do Estado, pois muitos microrganismos, agentes físicos, químicos e biológicos podem ser fontes de prejuízo à saúde humana, fonte de contaminação. “Médicos-veterinários como responsáveis técnicos ou como inspetores de alimentos tem a capacidade de manter a qualidade desse produto, a integridade física, química e biológica de modo que o consumidor possa ter alimentos de qualidade sanitária, que, ao ser alcançada, diminui perdas e custos de produção e comercialização”, completa.

 

Segurança Alimentar

A ONU pautou a questão da alimentação em seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os 193 países signatários concordaram, dentre outros pontos, até 2030, erradicar a fome, atingir uma satisfatória segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável (Fome zero e agricultura sustentável), bem como assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis (Consumo e produção responsáveis).

Os dados da FAO mostram também que, de 2016 a 2018, os números da fome aumentaram em 0,2% na América Latina e Caribe, que representou 42,5 milhões de pessoas no ano passado. Na América do Sul, 55% de pessoas sofrem com subnutrição.

No Brasil, 5,2 milhões de pessoas são afligidas pela fome (a população do país é de 209,3 milhões). Em 2014, o país saiu do Mapa da Fome da ONU, que indica países em que a quantidade de pessoas ingerindo menos calorias do que o recomendado é igual ou superior a 5%. Na ocasião o Brasil marcava 3% de pessoas nessa condição.

Em julho de 2017, o Relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, realizado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil, expos que o Brasil corre o risco de ser reinserido no mapa da ONU.

A campanha da data neste ano traz o slogan “Nossas ações representam o nosso futuro: dietas saudáveis para um mundo fome zero”.

 

Assessoria de Comunicação do CFMV