Fórum debate desafios como tráfico e formação para médicos-veterinários e zootecnistas de animais selvagens

30 de agosto de 2019

O III Fórum das Comissões Nacional e Regionais de Animais Selvagens reuniu os membros da Comissão Nacional de Animais Selvagens do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNAS/CFMV), além de integrantes de 11 comissões regionais de animais selvagens, em torno dos desafios locais em relação a atuação de médicos-veterinários e zootecnistas na área de animais selvagens. O encontro ocorreu no dia 23 de agosto, na sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Pará (CRMV-PA), em Belém. 

Estiveram presentes representantes dos seguintes CRMVs: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Roraima, Pará, Paraná e São Paulo. O grupo abordou temas como o tráfico de animais selvagens, zoonoses, controle de fauna exótica invasora, necessidade de atualização nas legislações do CFMV sobre animais selvagens e discussão de temas atuais da área, além de ações propositivas e educativas realizadas nos estados, ressaltando a importância da articulação com órgãos como secretarias municipais e estaduais de Saúde e Meio Ambiente, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre outros. 

“Abordamos temas relevantes para que as comissões possam trabalhar tanto em nível nacional como estadual dentro das suas particularidades de necessidades regionais, e estreitamos as relações entre as comissões. Estabelecemos propostas de ações relativas ao tráfico de animais selvagens e foi consenso o estabelecimento de ações inerentes à educação ambiental como forma de apresentar à sociedade uma abordagem sobre a temática, objetivando esclarecer e conscientizar ”, afirmou o presidente da CNAS, Francisco Edson Gomes. 

O tráfico de animais selvagens é uma questão permanente de norte a sul do país, e foi ressaltada a importância da realização de campanhas educativas. O CRMV-PB, por exemplo, usa materiais produzidos pelo CFMV e órgãos ambientais em suas ações. Já o presidente da Comissão de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, Marcello Schiavo Nardi, ressaltou a importância do controle de javali respeitando o bem-estar. O representante do Espírito Santo alertou para o risco de zoonoses ocupacionais no exercício profissional, enquanto o de Pernambuco ressaltou a importância de se estar próximo das instituições de ensino superior que ofertam cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia como forma de divulgar o conhecimento na área, visto que nem todas possuem disciplinas voltadas ao estudo de animais selvagens. Foram convidados também a participar da reunião os grupos de estudos de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (Geas/Ufra) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), que ressaltaram ainda mais a importância de o tema estar presente na formação acadêmica. 

Presidente da CNAS, Francisco Edson Gomes, abre o III Fórum das Comissões Nacional e Regionais de Animais Selvagens, ao lado dos membros da CNAS

A CNAS aproveitou a reunião, ainda, para elaborar propostas de ações de proteção da fauna silvestre, que serão submetidas à apreciação do CFMV. Os participantes do encontro elaboraram um documento e compartilharam, ainda, preocupação com o aumento no número e gravidade de queimadas na região da Amazônia Legal, neste ano. “Sob o aspecto da Saúde Única, a morte de animais e perda dos habitats não traz apenas consternação e angústia, mas também oferece riscos à saúde da população. Um ambiente instável, como uma floresta após incêndios, não possui proteção natural para isolamento de doenças, fragilizando barreiras naturais e aumentando as chances de surtos  zoonóticos, tais como raiva, febre amarela e dengue, entre outras”, assinalou o presidente da comissão.