CFMV participa de reunião com conselhos da área de saúde para debater estratégias frente à ampliação da oferta de cursos à distância

24 de fevereiro de 2017

Por Roberta Machado

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) defendeu a importância da educação presencial para a qualidade da formação profissional durante “encontro das profissões da área de saúde para debater o ensino à distância na graduação”, realizado nesta sexta-feira (24), em Brasília. O evento, organizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), também contou com a presença de representantes de 14 conselhos profissionais de diferentes áreas da saúde.

O presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, afirma que o conselho está atento às questões que buscam adotar uma formação acadêmica que traga prejuízos generalizados.

“Não se pode buscar o lucro fácil. A educação não pode sofrer estelionato em qualquer de suas formas. Os comerciantes devem ser impedidos ou banidos da área educacional. Os Conselhos Federais da Área de Saúde irão definir linhas de atuação para que possamos enfrentar essa situação”, afirmou Arruda.    

O presidente da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (CNEMV) do CFMV, Felipe Wouk, afirma que o acelerado crescimento da oferta de cursos online é preocupante. “Entendemos claramente que o risco para a sociedade e para o ser humano é bastante grande. Se esses espaços forem delegados à condição de ensino à distância, a profissão corre risco”, ressaltou Wouk aos presentes no evento.

Foto: Ascom/CFMV

Durante apresentação no evento, o presidente da CNEMV também ressaltou que nesta semana o CFMV entregou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) uma revisão das diretrizes nacionais dos cursos de Medicina Veterinária, um documento que prevê, entre outras coisas, uma restrição ao emprego do ensino à distância.

Além de Felipe Wouk, também participaram do evento pelo CFMV o médico veterinário Marcelo Pacheco, integrante da CNEMV, e a médica veterinária Lúcia Montebello, representante do CFMV no Fórum dos Conselho Federais da Área de Saúde (FCFAS). “Essa é uma luta que nós enfrentamos há algum tempo. A Medicina Veterinária foi confrontada por essa questão agora, mas já temos outros cursos que já lutam essa batalha há muito tempo”, ressaltou Montebello.

Recentemente, uma instituição de Santa Catarina causou espanto ao registrar o primeiro curso de Medicina Veterinária à distância, mas cancelou a proposta depois de uma mobilização dos profissionais e do Sistema CFMV/CRMVs.

Dr. Lúcia Montebello, Dr. Felipe Wouk e Dr. Marcelo Pacheco representaram o CFMV no encontro. Foto: Ascom/CFMV

Em crescimento

Atualmente, são cerca de 275 mil vagas na modalidade de Ensino à Distância (EaD) em cursos de áreas de saúde autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC) – dentre elas, 56 mil foram criadas somente neste último semestre.

Cerca de 97% das vagas dos cursos à distância são oferecidos por instituições de ensino particulares. Esses cursos prometem um diploma com um número extremamente reduzido de aulas presenciais, e por uma mensalidade de até um décimo do valor de um curso de graduação tradicional.

Os participantes do encontro consideram que existem falhas do Ministério da Educação no acompanhamento dos registros.  Além disso, atualmente, o MEC discute a aprovação de uma proposta de alteração do Decreto nº 5.622/2005, que regulamenta a Educação à Distância, o que pode dar às instituições de ensino ainda mais liberdade para criar cursos na modalidade EaD.

Limites

Embora reconhecessem o valor da tecnologia como ferramenta complementar para o ensino, os representantes presentes no evento foram unânimes em ressaltar que o ensino da saúde não pode ser restrito a essa modalidade. “Não podemos deixar que ela venha a substituir as nossas práticas de transmissão de conhecimento para os nossos alunos. Isso é insubstituível”, avaliou Edgar Garcez, coordenador adjunto do (FCFAS).

No ano passado, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) publicou a Resolução nº 515 onde posiciona-se contra a autorização de qualquer graduação à distância na área de saúde.

Os participantes do evento defenderam a necessidade de se buscar novas medidas políticas para frear a expansão do ensino à distância na saúde, com a criação de normas mais claras e rígidas que impeçam a multiplicação de cursos e vagas registrados nos últimos anos.

 

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